Robótica poderá ganhar status de modalidade esportiva e conteúdo extracurricular nas escolas

Projeto de Lei segue para o Senado após aprovação dos deputados e pode incentivar investimentos em tecnologia, ensino e inovação

O reconhecimento da robótica como como modalidade esportiva de competição e como conteúdo escolar extracurricular deve incentivar os investimentos no setor. É o que acredita o deputado federal Saulo Pedroso (PSD/SP), relator do Projeto de Lei 1106/23, aprovado na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (17).

A proposta autoriza o Poder Executivo a incluir a robótica como atividade extracurricular e optativa em toda a rede de ensino, pública e privada, além de reconhecer oficialmente a prática como esporte de competição e de relevância educacional. O texto segue agora para análise do Senado Federal.

Segundo o relator, que também é presidente da Comissão do Esporte na Câmara, embora a robótica já esteja prevista na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) como ferramenta interdisciplinar, a aprovação da proposta representa um avanço importante ao garantir reconhecimento legal também na área esportiva. “Quando uma atividade passa a ser reconhecida como modalidade de competição, ela ganha alcance, incentivo e condições de desenvolvimento. Isso repercute no incentivo ao esporte, bem como na cadeia econômica ligada à tecnologia e à inovação”, destaca.

A robótica educacional é definida como uma atividade prática destinada a auxiliar o aluno na construção do conhecimento por meio do desenvolvimento do raciocínio lógico. Entre seus objetivos estão estimular a criatividade, promover o trabalho em equipe, melhorar o desempenho escolar, ampliar a capacidade de organização e incentivar a busca de soluções para problemas.

Melhoria na estrutura de ensino
Saulo Pedroso acredita que a medida pode contribuir inclusive para melhorar a infraestrutura das escolas públicas. “Muitas escolas ainda enfrentam dificuldades de acesso à internet e possuem estruturas precárias. Quando a sociedade passa a enxergar a robótica como esporte e como ferramenta educacional estratégica, cresce também a pressão para que estados e municípios invistam em conectividade, espaços adequados e melhores condições de ensino”.

O desenvolvimento da robótica educacional nas escolas públicas e o fomento de sua prática como esporte dependerão de dotações orçamentárias próprias, podendo ser firmadas parcerias entre o poder público e a iniciativa privada.

Retirada da obrigatoriedade
De autoria do deputado Luiz Carlos Motta (PL-SP), o projeto foi aprovado na forma de um substitutivo apresentado por Saulo Pedroso. O relator retirou do texto a obrigatoriedade da oferta da atividade pelas escolas, entendendo que a medida poderia interferir na autonomia dos gestores públicos responsáveis pela formulação e execução das políticas educacionais.

 

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